Josimar Freire | 01_07_2017

 

 

A primeira individual de Josimar Freire reúne um longo período de produção apresentando
a consolidação das três frentes do seu trabalho que dão nome à exposição.

Entre suas influências estão os movimentos culturais ligados a questões sociais e políticas
principalmente das décadas de 60 e 70, momento também amplificado pela música negra
universal. Tais temas sempre são resgatados em suas citações junto a outras influências
como o cinema Blaxploitation, Construtivismo Russo, período Neo Concreto no Brasil e a
produção de livros de artista, além de trazer sua relação com a cultura underground por
meio do skateboard. 

Josimar transita pela pintura, desenho, gravura, colagem e serigrafia, tendo o papel como
principal suporte. Esses processos auxiliam o artista a se afastar do automatismo e se
aproximar da potência necessária para a abordagem dos temas pertinentes.

TEXTO SIMPLES reúne estudos tipográficos cujos traços e semântica dialogam com as
referências listadas na introdução, narrando e propondo indagações que são somadas
com intenção de reverenciar essas fortes influências, passando pela identidade gráfica das
capas de discos e pôsteres de filmes blaxploitation, estética de vídeos e publicações de
skate, informativos de gravadoras, panfletos de protesto e cartazes empunhados em
passeatas. 

COLAGENS são obras produzidas a partir da desconstrução e fragmentação de antigos
trabalhos realizados desde 2009. Josimar interfere no sentido orgânico anteriormente
presente nestes gráficos, criando padrões novos e conduzindo a um novo movimento que
surge da desordem.


TEXTO SIMPLES também propõem um diálogo híbrido e acessível na parte textual de sua
produção.


GRAVE são estudos gráficos compostos por linhas continuas que se curvam para buscar
uma unidade harmônica, passando por alterações ao longo do movimento para dar origem
a estruturas que se desdobram e transmutam em cada trabalho. Geralmente em preto,
branco e cinza, nas mais diversas escalas, com detalhes e preenchimentos mínimos, os
traços são uma resposta visual a múltiplas interpretações da palavra GRAVE.


GRAVE, modo imperativo do verbo gravar, é um possível sinônimo de “risque” e “pinte”,
remetendo a métodos de gravação sobre papel e outras matrizes. GRAVE também é
sinônimo de “preocupante”, “complicado”, “sério”, descrições justas para o quadro social
em que grande parte da população do país se encontra. Novamente como adjetivo,
GRAVE qualifica frequências sonoras, em um diálogo com as pesquisas sobre a música
negra e seus meios de propagação através de sistemas de som, onde essa frequência é
determinante para o impacto da mensagem. 


Essas interpretações se influenciam e criam um fluxo de ideias onde não é mais possível
delimitá-las, o que está refletido em linhas que se complementam e sobrepõem, buscando
sempre ser desorganizadas e reorganizadas. O retorno visual desses três elementos não é
algo acabado, pois é fruto de um constante diálogo.